Terça, 13 Junho 2017 12:47

Dor crônica e LDN - algumas considerações interessantes Destaque

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Os opióides (narcóticos) têm sido usados por muitos anos. É contra-intuitivo pensar que uma droga como a naltrexona, que bloqueia o efeito dos opióides, possa ajudar a gerenciar a dor crônica. Nós entendemos que LDN (Low Dose Naltrexone) ajuda com condições auto-imunes.

A literatura atual em medicina da dor apoia a visão de que a dor crônica, especialmente as doenças crônicas da dor do nervo, como a síndrome de dor regional complexa, a distrofia simpática reflexa, a neuropatia periférica diabética possuem base autoimune. Um estudo realizado no tratamento da dor fibromiálgica com LDN mostrou uma redução de 30% nos sintomas. Abaixo está uma breve descrição do mecanismo por trás da dor nervosa crônica.

O sistema nervoso central (SNC) é constituído por nervos e células chamadas células da glia. As células da glia representam cerca de 80% do SNC enquanto os nervos representam cerca de 20%. A função da glia é fornecer proteção imune e defesa de hospedagem para o SNC. Em condições normais, a glia permanece em um estado inativo. Elas se tornam prontamente ativadas em resposta a infecção ou lesão. A mudança mais importante que ocorre durante a inflamação do cérebro e da medula espinal (Sistema Nervoso Central) é a ativação das células da glia.

Quando as células da glia são ativadas, elas desencadeiam a liberação de certos produtos químicos conhecidos como fatores pró-inflamatórios e neurotóxicos. Esses fatores incluem várias citocinas, como o Fator de Necrose Tumoral - alfa (TNF-α) e interleucina1-beta (IL1-β), os metabólitos de ácidos graxos e os radicais livres, como óxido nítrico e superóxido. Em condições dolorosas como dor regional complexa e dor neuropática, o dano aos nervos periféricos desloca a glia para um estado ativado na medula espinhal.

A família de células da glia é constituída por microglia e astrocitos. Cada um desses membros da família tem um papel específico. A microglia guarda e protege o sistema imunológico enquanto os astrócitos ajudam a manter o equilíbrio dos fluidos celulares que é importante para a ação de substâncias químicas nas células chamadas neurotransmissores (necessárias para controlar a função nervosa). As células da Glia são ativadas por trauma, lesão, infecção, opióides. Quando ativada, a glia libera fatores pró-inflamatórios e neurotóxicos (citocinas).

As drogas que bloqueiam o efeito dos opióides (como, por exemplo, a morfina) podem ajudar a prevenir a ativação da glia. Tais drogas são a naltrexona e a naloxona. A naltrexona em baixa dose (daí, LDN - low dose naltrexone) pode inibir a ativação da glia.

As células usam produtos químicos chamados de neurotransmissores para se comunicarem umas com as outras. Como a maioria das drogas, os neurotransmissores funcionam dependendo de receptores específicos nas células. Quando os neurotransmissores se ligam aos receptores nas células, eles permitem a passagem de outras substâncias para dentro da célula (como o sódio, cálcio). Quando essas substâncias entram nas células, elas fazem com que as células disparem e transmitam sinais ao longo da fibra nervosa.

O glutamato é o neurotransmissor mais abundante encontrado no sistema nervoso central. É um neurotransmissor excitatório. O glutamato liga-se a um receptor chamado NMDA (N-metil D-aspartato).

O receptor NMDA é o receptor mais comum encontrado no Sistema Nervoso Central. Quando o receptor NMDA é ativado pelo glutamato, abre canais de cálcio que fazem com que os nervos disparem.

Para resumir, quando as células gliais são ativadas, liberam substâncias químicas e neurotransmissores que causam a ativação de receptores NMDA que fazem com que os nervos disparem.

A LDN (Low Dose Naltrexone), por sua capacidade de inibir a ativação microglial, suprime a ativação dos receptores NMDA, diminuindo a liberação do neurotransmissor glutamato.

Tentar utilizar a LDN para a CRPS (Complex Regional Pain Syndrome) deve ser considerado com muito cuidado, especialmente porque podem haver interações com os sistemas médicos de tratamentos atuaalmente existentes, particularmente se os medicamentos forem do tipo opióides (drogas tipo morfina, por exemplo). Ela não deve ser tomada por pacientes que estão em uso de opióides ou tramadol. Muitas vezes, a escolha é mais fácil para pacientes que não estão em uso de opióides. Felizmente, a LDN tem um baixo risco de efeitos colaterais. Antes de tomar LDN, deve-se considerar as pesquisas atuais, ensaios clínicos, força de relatórios anedóticos, gravidade da CRPS, resposta a outras terapias, interações medicamentosas e quaisquer contra-indicações. A maioria dos médicos não está familiarizada com o uso de LDN.

Fonte: LDN Research Trust

 

Lido 139 vezes Última modificação em Terça, 13 Junho 2017 12:52
Dr. Renato Riccio

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Medicina Funcional e Integrativa com foco em Medicina do Estilo de Vida

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