Terça, 20 Junho 2017 18:14

Características fisiológicas da célula cancerígena Destaque

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Seis são as alterações essenciais na fisiologia celular que são amplamente responsáveis pelo crescimento das células malignas. Estas seis alterações são descritas como as marcas registradas de quase todos os cânceres e têm guiado as pesquisas na área nos últimos anos. Vamos ver um pouco de cada uma:

  • Auto-suficiência em relação aos sinais de crescimento. Este processo envolve a proliferação descontrolada de células devido à expressão auto-induzida de fatores moleculares de crescimento. Em outras palavras, o crescimento desregulado surgiria através de expressão anormal dos genes que codificam os fatores de crescimento. Os fatores de crescimento se ligariam então a receptores na própria célula (estimulação autócrina) ou a receptores de células vizinhas (estimulação parácrina) travando desse modo os circuitos de sinalização que perpetuam a replicação contínua. Complicados diagramas de cibernéticos, muitas vezes, são apresentados ao ilustrar esses fenômenos. A cibernética é geralmente vista como o estudo de sistemas de comunicação e controle objetivo-dirigido. Assume-se que o circuito anormal nas células tumorais resulta, em grande parte, da expressão dominante dos oncogenes causadores de câncer. 
  • Insensibilidade aos sinais inibidores de crescimento (anti-crescimento). A fim de realizar funções específicas nos tecidos diferenciados maduros, muitas células devem permanecer aquiescestes ou não proliferavas. Um complexo circuito de sinalização envolvendo a ação de genes supressores de tumor é necessário para se manter este estado quiescente. Além destes sinais internos, interações com outras células (célula-célula) e o meio externo (célula-matriz) também agem para manter a aquiescência. Danos aos genes supressores ou ao microambiente são assumidos prejudicar a inibição do crescimento e provocar proliferação, na medida em que a célula não mais responde apropriadamente às ações inibitórias de crescimento destes genes ou moléculas. Sabe-se que as células tumorais expressam múltiplos defeitos nos genes supressores de tumor e nas interações célula-célula ou célula-matriz.
  • Evasão da morte celular programada (apoptose). A morte celular programada é uma maneira efetiva de se eliminar células danificadas ou disfuncionais. A eliminação das células danificadas é necessária a fim de se manter a homeostase tecidual e a saúde. O dano celular pode iniciar a liberação do citocromo-c mitocondrial, uma proteína da cadeia transportadora de elétrons, que é um potente indutor da apoptose em células normais. Em contrate às células normais, entretanto, as células tumorais continuam a viver e a proliferar apesar do seu dano ao seu DNA nuclear e respiração. A perda dos genes supressores de tumores, que sentem um dano celular e iniciam a morte celular, é em parte responsável pela residência das células tumorais à morte celular programada. A residência adquirida à apoptose é uma marca reconhecida da maioria das células de câncer.
  • Potencial replicativo sem limites. Todas as células de uma determinada espécie possuem um número finito de divisões antes delas atingirem a mortalidade. Este é um programa celular autônomo que induz a senescência previne a imortalidade. As células tumorais, entretanto, perdem a responsividade a este programa e continuam a se dividir, O fenômeno do potencial replicativo em limites está intimamente conectado com as três primeiras capacidades.
  • Vascularização sustentada (angiogênese). A angiogênese envolve a neovascularização ou a formação de novos capilares sanguíneos a partir dos vasos existentes e está associada com processos de inflamação tecidual e cicatrização de feridas. Muitos tumores sólidos têm dificuldade em crescer a menos que irrigados com vasos sanguíneos, que podem dispensar nutrientes enquanto removendo produtos residuais. A disseminação das células tumorais através do corpo é assumida como dependendo em parte do grau de vascularização do tumor. Quanto mais vasos sanguíneos no tumor, maior será o potencial de invadir e metastatizar. As células tumorais liberam fatores de crescimento que estimulam células estromais circunvizinhas (células endoteliais vasculares e macrófagos) a proliferarem, logo fornecendo ao tumor a vascularização e os meios para um crescimento mais rápido. As células endoteliais formam as paredes dos vasos, enquanto os macrófagos locais e outras células do estroma degradam o microambiente facilitando a neovascularização. A mudança de baixa vascularização para alta é considerada uma capacidade adquirida essencial para a progressão do tumor.
  • Invasão tecidual e metástase. A invasão de células tumorais nos tecidos locais e sua difusão para órgãos distantes caracteriza o fenômeno da metástase. As metástases ou as complicações delas estão associadas com cerca de 90% de todas as mortes por câncer. A prevenção das metástases o único desafio mais importante para o gerenciamento do câncer.

 

Fonte: Cancer as a Metabolic Disease - On the Origin, Management, and Prevention of Cancer - Thomas Seyfried

 

 

Lido 288 vezes Última modificação em Terça, 20 Junho 2017 18:25
Dr. Renato Riccio

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Medicina Funcional e Integrativa com foco em Medicina do Estilo de Vida

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