Sexta, 04 Agosto 2017 05:21

Sempre uma polêmica, o metabolismo tireoideano! Destaque

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Costumo dizer que, devido à apreciação inadequada ou até mesmo à compreensão do impacto que o T3 reverso possui sobre nosso corpo, muitos pacientes acabam sofrendo, indevidamente, um desequilíbrio na tireóide.

Dentre os hormônios tireoideanos, eu diria que três deles sejam os mais importantes, tanto em relação à doença da tireóide quanto à função celular são:

  • T4 (tetraiodotironina ou tiroxina), conhecido como de armazenamento ou forma inativa do hormônio da tireóide, é o hormônio mais produzido pela tireóide.
  • T3 (triiodotironina), chamado de forma ativa do hormônio da tireóide, é cinco vezes mais ativo que o T4.
  • T3 reverso, a forma "espelhada" e inativa do T3. Esta forma inibe, por competição, a função do T3.

Antes que o corpo possa utilizar efetivamente o hormônio da tireóide, ele deve ser convertido de sua forma inativa T4 para a forma ativa T3. O T4 pode ser convertido em T3 ou T3 Reverso dependendo da remoção de átomos de iodo em posições específicas. Ao remover um determinado átomo de iodo, T4 é convertido em T3. Alternativamente, se um átomo de iodo diferente for removido, o resultado é o T3 Reverso. Este processo de conversão T4 é conhecido como monodeiodinação.

Em uma tireoide funcionando corretamente, cerca de 40% do T4 é convertido para T3 e cerca de 20% é traduzido para T3 Reverso diariamente. No entanto, se a tireoide estiver com problema, ou se o corpo precisa economizar energia e estiver sob estresse significativo, o índice de conversão pode mudar para 50% do T4 tornando-se T3 reverso. Uma mudança significativa, como essa, afeta muito a função da tireóide e a disponibilidade de hormônio.

O T3 reverso é a forma inativa espelhada do T3 e é fundamental para equilibrar os níveis dos hormônios da tireóide. Sem a presença do T3 Reverso no sistema, há um grande risco de que seus níveis T3 atinjam patamares perigosamente altos, resultando em um caso grave de hipertireoidismo (uma tireóide hiperativa freqüentemente causada pelo excesso de T3). Alternativamente, o T3 Reverso excessivamente inibe a capacidade do T3 de fornecer energia e oxigênio às células, resultando em uma função metabólica reduzida a nível celular. O T3 e o T3 Reverso competem pelos mesmos receptores em todo o corpo. Se houver uma maior prevalência de T3 Reverso em um sistema, ele bloqueará efetivamente o hormônio da tireóide a partir das células atingidas. Manter a proporção adequada de T3 para T3 Reverso ajuda a manter o corpo funcionando e sem problemas.

Como um inibidor T3 efetivo, o T3 Reverso ajuda o corpo a manter um equilíbrio adequado da tireóide ativa. Não só bloqueia os locais receptores, mas também influencia a conversão de T4 em outros hormônios. Estudos descobriram que o T3 Reverso pode ser 100 vezes mais efetivo para reduzir a conversão de T4 em T3 do que Propiltiouracil (PTU), uma opção de tratamento para aqueles com hipertireoidismo. Embora esta ação regulatória seja útil para manter os níveis adequados de hormônio da tireóide, se o T3 Reverso for superproduzido pode causar hipotireoidismo severo. Aqueles que têm hipotireoidismo geralmente vêem um aumento na gravidade dos sintomas quando há uma superabundância de T3 Reverso na corrente sanguínea.

A disfunção tireoidiana não é a única causa possível do aumento do T3 reverso. Os hormônios relacionados ao estresse podem ainda agravar um desequilíbrio do T3 Reverso. Quando há um excesso de T3 Reverso em seu sistema, seu metabolismo diminui, deixando-os lentos e cansados. Para contrabalançar isso, o corpo libera cortisol, também conhecido como hormônio do estresse, a fim de aumentar o estado de alerta e a energia. Apesar de que este impulso mental temporário tenha muitos usos, especialmente quando alguém está em perigo físico, se ele for invocado como fonte primária de fornecimento de energia, vários problemas se desenvolvem. A liberação regular de cortisol, devido ao estresse crônico, ao déficit de T3 ou ao excesso de T3 Reverso, pode esgotar as supra-renais, causando uma fadiga duradoura. E, como se não bastasse, o cortisol inibe a conversão de T4 a T3, resultando em aumento da prevalência do T3 Reverso no sistema.

Outras condições que contribuem para o aumento dos níveis de T3 Reverso incluem:

  • Fadiga crônica
  • Doença aguda e lesão
  • Doença crônica
  • Aumento do cortisol (estresse)
  • Cortisol baixo (fadiga adrenal)
  • Ferro baixo
  • Doença de Lyme
  • Inflamação crônica

A polêmica sobre os testes diagnósticos

Infelizmente, uma grande parte da comunidade médica ainda acredita que o T3 Reverso é um fator sem importância na função tireoidiana. Isso fez com que a maioria dos praticantes dependesse do teste de hormônio estimulante da tireóide (TSH) e T4 para analisar a função tireoidiana. Esses testes "não contabilizam" problemas de conversão ou reconhecem se há uma superabundância do T3 Reverso no sistema orgânico. Mesmo que os níveis de T4 e TSH estejam dentro da faixa "normal", assim mesmo poderá haver problemas de saúde se houver excesso de T3 reverso.

De acordo com um estudo publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, os níveis de TSH e T4 são indicadores pobres da função tireoidiana. Foi ainda afirmado que o uso desses testes por si só não reflete uma imagem adequada da saúde da tireóide para uma porcentagem significativa de pacientes. Confiar exclusivamente em testes que negligenciam o T3 Reverso pode deixar os pacientes que sofrem de disfunção tireoidiana não diagnosticados por anos. Felizmente, um número crescente de profissionais médicos e médicos integrativos, particularmente aqueles que se especializam no equilíbrio hormonal, estão vocalizando a importância do teste do T3 Reverso para diagnóstico e tratamento.

Como o T3 Reverso é um elemento crítico para a função da tireóide, é importante ter-se um teste apropriado. Se você está enfrentando sintomas de hipotireoidismo enquanto seus exames de sangue de tireóide apresentam níveis normais de TSH e T4, é importante que você também teste seus níveis de T3 Reverso (principalmente na relação T3L/T3R. Sem ter uma imagem clara dos numerosos elementos que afetam a função da tireóide, é quase impossível diagnosticar e tratar adequadamente a condição única.

 

Lido 183 vezes Última modificação em Sábado, 05 Agosto 2017 14:48
Dr. Renato Riccio

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Medicina Funcional e Integrativa com foco em Medicina do Estilo de Vida

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